Meu caminho até aqui – Parte 2

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Fonte: Casal de Mochilão

Mas só falou de vegetarianismo até agora, o que uma coisa tem a ver com a outra?

Pois bem… eu parei de comer carne em julho de 2015, e acho que isso abriu caminho para outras coisas despertarem em mim. Depois do vegetarianismo, um caminho que levou mais ou menos um ano, eu comecei a fazer yoga.

Não me recordo de onde surgiu meu interesse, era uma vontade antiga que eu tinha, mas eu achava que precisava pagar muito caro pra fazer, e nunca fazia. Daí conheci uma instrutora muito bacana no Youtube, e comecei em casa mesmo, de graça. Não recomendo que comece assim, pois é perigoso ter uma lesão ou até pior. Eu comecei por conta e risco, porque tinha bastante consciência corporal das minhas épocas de academia, e por causa da minha cirurgia recente não tinha como ultrapassar meus limites, já que ainda sentia dor. Eu estava com o movimento do braço direito bastante limitado ainda, tinha perdido parte da amplitude, e fazia fisioterapia.

Passado um tempo eu descobri uma professora que dava aula de graça num parque, e foi ótimo. Comecei a frequentar as aulas e fui deixando o Youtube de lado, porque era mais gostoso fazer aulas ao ar livre. Isso foi mais ou menos em maio de 2016. Continuei fazendo só essas aulas uma vez por semana por muito tempo. E aos poucos foi surgindo o terceiro passo desse meu caminho, e o mais importante de todos… meu mestre espiritual, Sri Prem Baba.

Isso é uma coisa muito particular, e bem difícil de explicar. Eu não procurei um mestre espiritual, e eu mal sabia que isso existia. Na verdade as palavras dele podem tocar muitas pessoas, e fazer sentido para muita gente, mas não necessariamente vão ter esse sentimento de devoção. Dizem que é muita sorte encontrar um guru vivo. Eu não sei exatamente como funcionam esses mistérios, e não me sinto apta a explicá-los, mas aconteceu comigo sem muita intenção.

Certa noite eu estava vagando pela internet, sem procurar nada específico, e achei uma matéria sobre os “novos hippies”, que se dedicam à yoga e meditação, e não usam drogas. Essa matéria citava algumas ecovilas, e fui pesquisar sobre elas, encontrei a cidade de Alto Paraíso de Goiás, e fui pesquisar mais sobre essa cidade. Em algum momento, lendo sobre Alto Paraíso, eu li sobre o Prem Baba, e comecei a ouvir o que ele dizia. Tinha textos dele na internet, tinha vídeos no Youtube. Sim, parece estranho encontrar um mestre espiritual na internet, parece meio superficial e banalizado, mas é um caminho que ele encontrou de atingir as pessoas, que foi previsto pelo seu guru. São novos tempos, e não haverá uma mudança em massa se as pessoas precisarem viajar até a Índia para encontrar um mestre. Por muitos anos era só lá que encontrávamos isso, e teríamos que abandonar tudo e morar muitos anos em algum ashram para ter um pouco do que temos hoje.

Mas assim, da mesma forma que ficou mais fácil, continua perigoso. O Baba é uma pessoa que tem milhares de seguidores, alguns famosos na mídia que ajudam a divulgar seu trabalho, mas em momento algum parece uma seita, com instruções do que fazer ou não fazer, dar dinheiro ou coisas do tipo. Muito pelo contrário, ele diz que cada um tem seu tempo, até no que toca ao vegetarianismo e etc. Dinheiro também, nada que você precise pagar, a não ser que queira fazer algum curso ou seminário, mas é todo revertido aos profissionais que ministram esses cursos, em estadia e alimentação. É claro que existem outros autoproclamados gurus que estão apenas tentando tirar dinheiro das pessoas, da mesma forma que sempre houveram seitas que tiravam dinheiro e até vidas. Todo cuidado é pouco nos dias de hoje. A internet facilitou o bem, mas também facilita o mal.

Pois bem, depois que encontrei meu guru na internet, o que aconteceu? Bom, muita coisa. Em novembro fiz um dos cursos que ele planejou, na cidade de Alto Paraíso, chamado Quem Sou Eu. Não posso falar muito do curso, porque pedem pra gente não dar spoilers pra quem ainda não fez, e porque certas coisas são sigilosas e precisam de acompanhamento profissional. Mas é muito intenso e vale muito a pena fazer. Depois desse curso podemos participar dos Retiros de Silêncio e ABC da Espiritualidade, que são os próximos passos propostos pelo Baba, dos quais eu ainda não estou pronta para participar. Ainda estou trabalhando questões levantadas no Quem Sou Eu, e vai longe.

Depois disso, continuei ouvindo seus ensinamentos pela internet, e em julho de 2017 fui na temporada em Alto Paraíso(sim, de novo, amo aquela cidade) e só então conheci meu mestre pessoalmente. Sem palavras para descrever, foi a melhor viagem que já fiz na vida. Ele entra no recinto e olha todo mundo nos olhos, e imediatamente você é atingido por um amor inexplicável, que começa a transbordar, e todo mundo fica na mesma sintonia. Lá em Alto Paraíso tive a experiência mais significativa da vida, senti que vou fazer 30 anos esse ano mas já atingi algo muito importante.

Toda a estadia no ashram é uma experiência muito válida. As condições não são exatamente confortáveis, eu dormi numa tenda, que entrava muito vento, e usava banheiro com mais 200 pessoas, mas tudo valia muito a pena quando via o Baba. Era só amor. Enquanto estamos no ashram também somos convidados a fazer o seva, que é o serviço desinteressado. O seva faz parte da purificação pela qual passamos, e faz muito bem. É só uma hora por dia, em média, e você pode escolher em qual lugar vai ficar. Além de ser muito bom fazer, ainda conhecemos um monte de gente! Aliás, isso é uma outra coisa muito boa e inesperada que me aconteceu. Eu costumo ser uma pessoa bastante introvertida e tímida, difícil de fazer amizade com estranhos, desde criança sou assim. Pois lá as coisas acontecem como devem acontecer, sem muita explicação e sem qualquer esforço. Eu fiz várias amizades, conversei com muita gente, peguei contato de várias pessoas que sei que vou reecontrar muitas vezes ainda. Fizemos um grupo no whatsapp e tem acontecido uma troca muito boa. Tem certas coisas que só dá pra conversar com quem foi lá, porque você conta para pessoas que não foram e elas não entendem, até te acham meio louca. O que provavelmente pode estar acontecendo agora. Mas tudo bem, tem que deixar a mente aberta pro que pode acontecer, tentar não julgar o que não se entende.

Enfim, o que quero dizer com esse texto longo todo é que esse foi meu caminho até aqui, muitas coisas ainda podem acontecer, tento deixar a mente aberta para novidades, tanto espiritual quanto profissional. As coisas vão acontecendo no tempo delas. Depois que voltei de Alto Paraíso muita coisa aconteceu, muitas novidades surgiram, comecei os grupos de meditação, tive novas oportunidades profissionais. Só coisa boa inclusive.

Eu queria mesmo que todo mundo pudesse ser livre pra encontrar seu caminho. Que ninguém mais tenha o futuro decidido por outras pessoas. Que ninguém mais desista dos seus sonhos pelos outros, ou perca oportunidades por preconceitos próprios ou familiares. Vou encerrar com o mantra da linhagem Sachcha do Sri Prem Baba:

PRABHU AAP JAGO PARMATMA JAGO MERE SARV JAGO SARVATR JAGO SUKANTA KA KHEL PRAKASH KARO.

Que traduzido significa: Que Deus desperte! Deus desperte em mim e em todos os seres. Traga luz ao jogo da alegria!

ॐHari Omॐ

 

 

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Sobre Tamyres Bertanha

www.clippings.me/tamyresbertanha
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4 respostas para Meu caminho até aqui – Parte 2

  1. Dianara disse:

    Amei o texto! E voltei no tempo. Realmente não dá para explicar. Temos que vivenciar a experiência.

  2. Oi, Tamyres! Obrigada por nos marcar e dar o crédito na foto. Parabéns pelo blog e sucesso! 🙂 @casaldemochilao

  3. Tânia Maria Stoffel disse:

    Legal, agradeço a partilha. Alto Paraíso +Asrham + Sri Prem Baba = amor.

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